Massunganhane

Mistérios e Tendências da Capulana

Fundação Fernando Leite Couto

Texto

O jovem Massunganhane procura, através das suas esculturas de formas bizarras, alojar uma série de práticas e percepções, seguindo um rumo onde coexistem fenómenos e processos no espaço e no tempo.

Explora o tema do corpo humano e relaciona-se com a sociedade através de um mundo utópico de figuras modificadas que os nossos olhos vão percorrendo e filosofando a cada uma delas, à medida que avançamos através da exposição.

Inspira-se nos modos, hábitos e costumes das comunidades por onde anda, dos lugares que visita durante as suas pesquisas e, em particular, do meio social onde vive.

O artista examina constantemente a história, investiga e interconecta-se com ela para representar as emoções, os sentimentos, as convicções, as ambições de cada um. É deste modo que, utilizando o barro, Massunganhane vai moldando o passado e o futuro.

Habilmente vai recriando as formas esculturais e os movimentos sensuais do corpo humano representando os seus modos de ser e de estar.

Com perspectivas intemporais e físicas percorre a história do seu país e das suas gentes, recolhendo sentimentos e identificando, através dos instrumentos e hábitos, a sua cultura e tradições, tal como o uso da Capulana, que, com origem há muitos séculos atrás, vai adquirindo outras nuances sociais, sem nunca perder valor.

É assim a escultura de Massunganhane, que se transforma e molda docemente nas suas mãos e que se redimensiona à condição de vivente no mundo. É assim como a Capulana, símbolo de riqueza, prestígio e poder no século XV e hoje um importante acessório de vestuário rico em cor e design.

As obras de Massunganhane sabem guardar segredos. São assim também as Capulanas que enchem os baús das belas esposas, mães e avós moçambicanas que calam os seus segredos, trazendo cada uma o seu propósito. São assim as obras de Massunganhane, enigmáticas, plenas de sensibilidade e nuances que sabem dar voz à realidade do Moçambique contemporâneo.

Yolanda Couto